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  • Jose Amorim de Andrade

COVID-19 e úlcera plantar em diabéticos


Uma vez considerada uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde, o que o novo coronavirus significará para os milhões de pacientes diabéticos pelo mundo?

Instituições científicas são unânimes em afirmar enfaticamente que os portadores de DM (Diabetes Mellitus) são os mais vulneráveis às complicações da COVID-19. Ou seja, o risco de óbito é maior entre os diabéticos acometidos pela nova doença.

O diabetes foi responsável por aproximadamente 20% das admissões em unidades de terapia intensiva (UTI) de acordo com uma análise recente em Wuhan, China.(1)


Dados mais recentes, desta feita da Itália, revelaram que mais de dois terços das pessoas que morreram por COVID-19 tinham diabetes. (2)


Além disso o Diabetes foi inquestionavelmente um importante fator para a gravidade e a mortalidade de surtos anteriores de viroses evoluindo com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). (3)


O que dizer, então, dos diabéticos que são também portadores de feridas ou úlceras plantares?


Precisamos considerar duas observações que parecem estar se tornando relevantes para que se possam tirar conclusões que respondam a essa pergunta:


1. Primeira observação: O aumento dos níveis de citocinas (ou citoquinas) parece desempenhar importante papel na evolução desfavorável dos contaminados pela COVID-19. Na mídia especializada estão se tornando frequentes expressões como “tempestade hiper inflamatória” e “tempestade citocínica” na SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome / Síndrome Respiratória Aguda Grave) associada ao novo coronavirus. Esse fenômeno, revelador do poderoso componente inflamatório tecidual da doença, também estava presente em surtos globais anteriores tais como a “gripe espanhola” e outras epidemias.


2. Segunda observação: Estudos vem mostrando que os diabéticos portadores de úlceras plantares já desenvolvem alterações e aumento dessas citocinas inflamatórias. Esse aumento das citocinas pro-inflamatórias também está presente na neuropatia do diabético que desenvolve a osteoartropatia de Charcot.


Portanto, mesmo sendo até o momento algo hipotético - parece que, até o momento, tudo é hipotético quando se trata do novo coronavirus - podemos desconfiar que essa “tempestade das citocinas” possa significar um incremento no risco para essa população específica de pacientes. Ou seja, nos dois eventos - COVID-19 e úlcera em pé diabético - ocorrem alterações nos níveis de citocinas que denunciam uma explosiva atividade inflamatória.


Obviamente, na ausência ainda de fundamentos e critérios científicos, podemos apenas concluir que os cuidados devem ser redobrados e as observações clínicas sejam bem documentadas para que possam ser identificadas eventuais correlações entre essas duas situações mórbidas.


De resto, aguardar o avanço das investigações científicas e, os diabéticos, redobrarem os cuidados para não se deixarem contaminar.


Leituras recomendadas:


1. 1. Zhou F, Yu T, Du R, Fan G, Liu Y, Liu Z, Xiang J, Wang Y, Song B, Gu X, Guan L, Wei Y, Li H, Wu X, Xu J, Tu S, Zhang Y, Chen H, Cao B. Clinical course and risk factors for mortality of adult inpatients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective cohort study. The Lancet 2020. https://doi.org/10.1016/S0140- 6736(20)30566-3

2. Remuzzi A, Remuzzi G. COVID-19 and Italy: what next?. The Lancet 2020

3. Memish ZA, Perlman S, Van Kerkhove MD, Zumla A. Middle East respiratory syndrome. The Lancet 2020


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