Escleroterapia

Escleroterapia - um pouco de sua história​

A escleroterapia está entre os mais antigos tratamentos aplicados na medicina. A  injeção intravenosa de substâncias  pode ser relatada desde 1670, muito embora a primeira seringa hipodérmica tenha sido inventada 183 anos depois, em 1853, por Charles Gabriel Pravaz e Alexander Wood.
O Dr. H.I.Biegeleisen (1904-1991) foi quem popularizou a palavra "sclerotherapy" e foi o primeiro médico a tratar desta forma as microvarizes dos membros inferiores.

Esclerosar, segundo o Taber´s Cyclopedic Medical Dictionary, significa tornar endurecido. Skleros, do grego, é duro e Sklerosis é endurecer.

A injeção de uma substância "esclerosante" dentro de uma veia pode torná-la endurecida e provocar a sua oclusão ou entupimento.

Por conseguinte, escleroterapia é a forma de tratamento pelo qual se consegue o entupimento de uma veia indesejável.

Ao longo do tempo muitas substâncias foram injetadas com o intuito de provocar a esclerose.

Podemos citar algumas: Alcool Absoluto (1840); derivados do Ferro e de Iodo (1850);Soluções de Fenol (1900); Mercúrio (1920).

Infelizmente ocorreram complicações importantes como pigmentação, necrose cutânea e reações alérgicas, que levaram o método a cair em descrédito até os anos 70, quando trabalhos publicados por Alderman(2), Foley(3),Tretbar(4) e Shields e Jansen(5),  demonstrando bons resultados com a técnica, vieram a tornar a escleroterapia um método seguro para o tratamento das telangiectasias ou microvarizes.

Como veremos mais adiante, os progressos recentes colocam a escleroterapia química em privilegiada situação entre os recursos de enfrentamento da doença varicosa dos membros inferiores.

Consideramos muito inapropriado e cientificamente incorreto classificar as varizes - mesmo as de menor calibre - como um problema apenas estético. As varizes dos membros inferiores são a manifestação visível de uma doença e como tal deve ser entendida e tratada.

No sentido estrito, a escleroterapia das varizes não é um tratamento estético, mas sim funcional. 

É óbvio que, muito frequentemente, o portador de varizes procura um angiologista ou cirurgião vascular referindo o seu desconforto estético.

Compete ao especialista, então, informar que aquelas varizes já podem ser a manifestação inicial de uma disfunção venosa que pode e deve ser tratada.

 

O objetivo da moderna escleroterapia é eliminar a veia anormal ou indesejada provocando a sua oclusão, definitiva ou não.

Este objetivo precisa ser atingido sem provocar danos às veias normais próximas ou distantes e sem produzir nenhuma lesão indesejável aos tecidos vizinhos, principalmente à pele. Não é uma tarefa fácil e isenta de riscos e se constitui no mais importante desafio da escleroterapia ao longo de mais de um século.

A escleroterapia só atingirá a excelência de seu resultado se provocar um dano e este dano precisa ser rigorosamente controlado, planejado e executado de tal forma que se limite rigorosamente apenas ao local desejado. Ou seja, a escleroterapia deve alcançar precisão cirúrgica.

O objetivo da escleroterapia não é provocar uma trombose venosa localizada como talvez ainda se pense nos dias atuais. Muitas das técnicas ainda utilizadas em vários serviços parecem acreditar que apenas a trombose do vaso atingido será suficiente para determinar o seu desaparecimento. A ESCLEROTERAPIA DEFINITIVA E IRREVERSÍVEL É AQUELA QUE LEVA Á OCLUSÃO E FIBROSE VENOSA. E ESTA SÓ SERÁ OBTIDA PELA DESTRUIÇÃO DA SUA CAMADA CELULAR  ENDOTELIAL.

A escleroterapia ideal é aquela que consegue o máximo de lesão endotelial irreversível com o mínimo de trombose ou nenhuma. E o esclerosante ideal é aquele que permite ao especialista conseguir este resultado com o mínimo de volume e numa concentração que não provoque danos ao endotélio do sistema venoso normal, nem coloque em risco a integridade do sistema venoso profundo. Daí a importância de um bom conhecimento do esclerosante escolhido e do domínio da técnica de escleroterapia em seus detalhes.

Ao contrário do que largamente ocorre em outros países, no Brasil a escleroterapia é predominantemente destinada a veias de calibre menor do que 2mm. As técnicas de fleboextração cirúrgica dirigidas para varizes a partir desse calibre, e até menores, alcançaram tamanha perfeição entre nossos especialistas que à escleroterapia ficou reservado um espaço compreensivelmente limitado no arsenal das ferramentas de combate às varizes dos membros inferiores. Por outro lado,nos países onde é largamente praticada por profissionais de outras especialidades, com predominância de dermatologistas, a escleroterapia já extrapolou os limites de calibre e topografia. Pouco afeitos a técnicas operatórias esses escleroterapeutas desenvolveram habilidades antes impensadas e apresentam resultados cada vez mais inegavelmente convincentes. Nesta direção devemos destacar a eficácia dos agentes químicos atualmente utilizados, tendo especial destaque à categoria dos detergentes, com os quais pode ser elaborada a técnica da espuma que, apesar de sua utilização há muitos anos, está obtendo ampla divulgação na mídia leiga e especializada.

É conveniente salientar que consideramos as técnicas cirúrgicas como o padrão ouro para as varizes de maior calibre. Entretanto, desprezar a escleroterapia como recurso de enorme e comprovada eficácia no enfrentamento das varizes mais calibrosas equivale a abdicar de uma arma poderosa, de grande potencial resolutivo e comprovadamente segura quando executada com prudência e criteriosamente por mãos habilitadas e experientes.

Como afirmado anteriormente, a abordagem cirúrgica, especialmente no Brasil, ainda representa a escolha habitual para o tratamento das varizes de calibre maior do que 2 - 3 mm. Entre isto e afirmar que a escleroterapia não pode ser aplicada às varizes de maior calibre há uma enorme distância que só serve para comprovar desconhecimento da técnica e minimizar suas gigantescas potencialidades. Com freqüência cada vez maior a associação das duas técnicas, cirurgia e escleroterapia, vai encontrando adeptos entre os especialistas. O equilíbrio está em definir com critérios a ferramenta mais apropriada para cada caso, diminuindo assim os questionamentos formulados, em nosso meio, contra a escleroterapia para as varizes mais calibrosas.

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