Fasciite Necrotizante 

 

Fasciite é um evento inflamatório que afeta qualquer fáscia. 
Fáscia é uma membrana conjuntiva fibrosa que pode ser encontrada em diferentes topografias, na maioria das vezes envolvendo feixes musculares, cobrindo tendões, ligamentos, e revestindo muitas estruturas e cavidades corporais. 
Temos fáscias por todas as partes de nosso corpo e. dependendo de sua localização, pode receber variadas denominações: fáscia cribiforme, plantar, cervica, crural, etc.

Necrotizante é aquilo que provoca necrose, ou seja, morte de tecidos em alguma região do nosso corpo.
Logo, Fasciite Necrotizante(FN) quer denominar a formação de tecido necrosado em decorrência de um processo inflamatório que, por sua vez, é consequência da invasão por microrganismos patogênicos (infecção).
A fáscia que nos interessa aqui é a fáscia superficial e profunda que revestem todo o corpo e estão imediatamente sob a pele. Vamos chamá-la de FÁSCIA SUBCUTÂNEA (FS).
Uma das características de Fasciite Necrotizante (FN) é a rapidez de propagação da infecção. E a velocidade dessa propagação, segundo Dr. Richard F. Edlich,MD, é diretamente proporcional à espessura da camada subcutânea e se propaga ao longo do plano fascial. 
A FN recebe algumas outras denominações, a saber: gangrena estreptocócica hemolítica, fasciite supurativa, celulite necrotizante e outras. Já li em alguns textos que a FN também é conhecida como infecção por bactérias carnívoras.Quando afeta a região perineal e/ou escrotal recebe a alcunha de Gangrena de Fournier.
Algo em torno de 30% dos afetados por FN são diabéticos. 
Desde uma simples picada de inseto até intervenções cirúrgicas podem desencadear a invasão bacteriana levando à FN. 
O Estreptococo Beta-hemolítico do grupo A é considerado o principal agente dessa infecção e muito frequentemente está em associação com outros microrganismos patogênicos.  Essa associação de bactérias, aeróbicas e anaeróbicas, atuando de forma sinérgica explica a virulência dessa infecção e sua ação destruidora sobre os tecidos.
O diagnóstico tardio da FN pode ser fatal. Atenção muito especial deve ser dada aos portadores de diabetes e aos portadores de algum tipo de imunodeficiência.
Portanto a suspeita clínica deve se transformar em ações imediatas para que a infecção não evolua para danos sistêmicos irreversíveis. Não foi à toa que vítimas da FN criaram a National Necrotizing Fasciites Foundation, onde contam suas estórias e compartilham suas experiências.
 

Figura 1. Aspecto da ferida por ocasião da primeira consulta.

Apesar da aparência sugestiva de ferida venosa, o componente álgico, a rapidez da evolução para pior e sinais de infecção despertaram a suspeita de Fasciite Necrotizante (confirmada a seguir com o exame histopatógico). 

Este caso teve início com "ferroada de peixe arraia" durante pescaria.

Figura 3. Quatro sessões de curativo com terapia por pressão negativa ambulatorial foram realizadas usando o sistema da Coloplast ExtriCare® Negative Pressure Wound Therapy

Figura 2. Ferida após amplo desbridamento dos tecidos necrosados até a fascia. A abordagem cirúrgica das áreas afetadas com desbridamentos múltiplos e sequenciais é mandatório. Uma aqntibioticoterapia agressiva tópica e sistêmica deve ser implementada desde o início.

Observa-se, nesta imagem, a presença de veia ocupada por trombo, provavelmente séptico.

A demora na limpeza cirúrgica pode significar a disseminação da infecção que pode evoluir para sepsis.

Figura 4. Ferida em fase final de cicatrização.
A suspeita diagnóstica precoce foi determinante para a obtenção do resultado, não permitindo o agravamento da lesão e a sua disseminação sistêmica.

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