Lomatuell H Lohmann & Rauscher 10x20cm

Coberturas não aderentes

São curativos cuja função principal é a proteção dos tecidos do leito das feridas contra eventuais danos que possam ser causados por determinados curativos. Sabemos que as gazes, habitualmente utilizadas, aderem firmemente ao leito das feridas. A retirada dessas gazes provocam o que é comumente chamado de desbridamento não seletivo: ou seja, podem trazer consigo, além dos debris indesejáveis, elementos necessários ao processo cicatricial. Outros curativos, tais como carvão, espumas, etc, podem também provocar os mesmos danos.

A interposição de coberturas não aderentes tem, portanto, a função de proteger o leito das feridas contra as eventuais agressões que possam ser provocadas por outros curativos.

A cobertura não aderente ideal deve apresentar as seguintes características:

 

  • facilidade de adaptação ao formato do leito ulcerado bem como à topografia da lesão (Fig.1 e 5)

  • fácil de aplicar sobre a ferida (Fig.2)

  • pode ser removida com facilidade, sem provocar trauma e com o mínimo de dor (Fig.2)

  • não deixa resíduos no leito da ferida

  • não provoca danos à pele do entorno nem traumatiza o leito; pode ser usada em peles frágeis e friáveis

  • permite que o exsudato se exteriorize para o curativo secundário

  • permite que componentes do curativo secundário interajam com a ferida (Fig. 3 e 4)

 

Regra geral essas coberturas são compostas de acetato de celulose ou  polietileno; algumas contém petrolato, outras são siliconizadas, vaselinadas ou parafinadas, e também podem ser encontradas coberturas baseadas em parafina; todas elas mantendo a característica comum de não adesão ao leito da ferida. 

Adaptic - Systagenix Wound Management Limited

Figura 1 - malha não aderente de celulose e petrolato bem acomodada em ferida de coto de amputação transmetatarseana.

Quando utilizar

As coberturas não aderentes, em princípio, podem ser utilizadas na grande maioria das feridas. É uma escelente escolha como a primeira camada de contato com a ferida na medida em que minimiza o trauma por ocasião das trocas.

Não se aplicam em feridas muito fundas ou cavitárias, situação em que podem perder a sua função principal ao migrar para o interior da lesão.

Podem perder sua utilidade e função em feridas muito exsudativas. Considerar que o exsudato abundante pode migrar pelas malhas da cobertura para a região de pele sadia e propiciar maceração.
Os casos de reações alérgicas ao produto são extremamente raras.

 

Figura 2 - malha não aderente parafinada de fácil colocação e retirada (LOMATUELL - Lohmann&Rauscher)

Figuras 3 e 4 - as malhas não aderentes permitem a interação dos curativos sobrepostos. Na imagem da direita vemos com um curativo de alginato com prata e na esquerda com uma placa de carvão ativado com prata.

Produtos

Os produtos mais aplicados em nossa experiência são:

 

  • ADAPTIC e ADAPTIC TOUCH(Systagenix)

  • ADAPTIC DIGIT(Systagenix)

  • LOMATUELL (Lohmann&Rauscher)

  • JELONET (Smith & Nephew)

  • CURATEC AGE 30 RAYON (Curatec)

Leituras que recomendo:

Figura 5 - Lançado recentemente pela Syztagenix, o Adaptic Digit nos traz um recurso muito interessante para as lesões dos dedos das extremidade superiores e inferiores.

Na figura acima um caso de feridas por queimadura dos dedos da mão.

  1. Wound care : a collaborative practice manual - 

    Carrie Sussman; Barbara M Bates-Jensen

    Philadelphia : Wolters Kluwer Health / Lippincott Williams & Wilkins, ©2007.

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